sábado, 28 de julho de 2007


Soneto de carnaval

Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento

Seu mais doce desejo a se amargura
Todo o instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrado uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento

E vivemos partindo, ele de mim
E eu dele, enquanto breve vão-se os anos
Para uma grande partida que há no fim

Se toda vida e todo amor humano
Mas tranqüilo ele sabe e eu sei tranqüila
Que se um fica o outro parte a redimi-lo.

Vinicius de Moraes

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